
O processo de escolha começou no dia 15 de agosto, com a apresentação do samba encomendado pela Paraíso do Tuiuti, e foi até domingo (20/9) com a escolha do samba da Acadêmicos da Grande Rio, finalizando essa etapa.
A grande polêmica aconteceu na escolha do samba-enredo da Unidos de Vila Isabel, no dia 11 de setembro, quando a diretoria e a comissão de carnaval da escola, liderada pelo presidente da agremiação, Luiz Guimarães, decidiram fazer a junção dos sambas de número 5 (Paulo Cesar Feital, Danilo Garcia, Júlio Alves, Marcelo Martins, Gabriel Simões, Gustavinho Oliveira e Thales Nunes) e o samba de número 13 (Martinho da Vila, André Diniz e Evandro Bocão). Martinho José Ferreira não concordou com a possível junção dos sambas, chegando a falar para a diretoria que era para retirar o seu nome como autor do novo samba, depois da fusão. A diretoria resolveu rever a posição e decidiu proclamar o samba número 13, o vencedor, gerando opiniões diversas nas redes sociais da escola.
Os compositores do samba 5 ficaram indignados com a mudança e comunicaram ao presidente da ala que estavam saindo em função do acontecido: Gustavinho Oliveira, Gabriel Simões e Thales Nunes (17 anos na ala de compositores e estava chegando na sua 8.ª final de samba na agremiação) e Rafael Tinguinha, cantor de apoio e filho do intérprete oficial, Tinga.
A posição do presidente de honra, Martinho da Vila, prevaleceu. Nessa divisão, a escola perde, mas iria perder muito mais se Martinho se afastasse da escola. Martinho José Ferreira é o maior símbolo da agremiação. Essa construção de imagem levou mais de 6 décadas, vivendo bons e maus momentos, sempre na Vila Isabel, sua escola de coração.
No primeiro campeonato da Vila, em 1988, com o enredo “Kizomba, a Festa da Raça”, feito por Martinho da Vila, na final, houve uma disputa acirrada com paralisação da escolha. A presidente Licia Maria Maciel Caniné( Russa), na prerrogativa do cargo, reuniu-se com a comissão de carnaval posteriormente e decidiram qual o samba que iria para a avenida. O samba foi dos compositores Luiz Carlos da Vila, Rodolfo Dantas e Jonas. A escola fez ajustes antes da gravação oficial, sem perder a essência do samba.
A Vila ganhou seu primeiro campeonato e o samba tornou-se hino contra discriminação racial, contra o apartheid.
Essa é a” vida de compositor”.”Meu samba enredo caiu por terra,Nada de magoa ,ressentimento,tudo em prol da agremiação.Linda melodia,linda poesia…mas samba enredo só ganha um” ( wanderley monteiro e Alvaro Maciel)